Estava preparando algo diferente para ser postado, mas hoje o dia é decisivo. Quaisquer semelhanças com o 6 de junho de 1944 não serão mera coincidência.
Eu sugiro a todos que quiserem acompanhar a chegada de Manuel Zelaya a Honduras, que comecem indo ao blog e ao twitter do Idelber Avelar. Ele está fazendo uma cobertura espetacular do que está acontecendo por lá, e confio na qualidade dele no relato dos eventos das próximas horas.
A melhor cobertura internacional do golpe em Honduras está sendo feita por, pasmem, a Telesur. Eu via a rede com certas ressalvas em relação à sua idoneidade, mas o trabalho deles está muito interessante, ainda mais depois que uma equipe de repórteres foi vítima dos gorilas militares de lá. Aliás, a cobertura internacional está razoavelmente boa, com exceção da mídia brasileira e da Fox News, claro.
Esperemos que nada de grave aconteça e que a verdadeira ordem institucional hondurenha retorne.
* * *
Hoje, a partir das 4 da tarde, teremos a estréia do glorioso tricolor do Arruda. Aos torcedores e admiradores do Santa Cruz Futebol Clube, será possível acompanhar o jogo ao vivo, lance a lance, pelo site oficial do clube.
A Rádio Jornal do Commercio, do Recife, também irá transmitir a partida ao vivo.
5 de Julho de 2009
4 de Julho de 2009
Golpe Não Tem Eufemismos
(Ok, retomando as atividades deste blog...)
Aconteceu muita coisa enquanto estive ausente. Tivemos a queda de 2 aviões da Airbus, onde os sistemas fly by wire foram colocados em cheque. Tivemos a morte de Michael Jackson, e de Farrah Fawcett também. Mas talvez o que mais balançou o mundo nesta época, na minha opinião, tenha sido o golpe de Estado em Honduras, no final de junho.
E digo por que. Há 7 anos a América Latina não tem um golpe de Estado militarista nos moldes clássicos, e há bem mais tempo que isso não temos um bem sucedido. As alegações dos militares, e da elite por trás deles, nunca muda: fizemos isso porque o presidente iria subverter a democracia, iria se perpetuar no poder, iria instaurar uma ditadura esquerdista, iria, iria, iria.
Nada de fatos concretos. Essa conversa está batida pois começou em 1964, aqui em terras brasileiras. No final das contas, a desculpa é a mesma: subverte-se a democracia para evitar que ela seja subvertida. É um paradoxo que acaba sendo reduzido a um argumento à força, ou seja, o militar e as elites fazem isso porque querem e porque são mais fortes que aquele sujeito que está lá no palácio presidencial.
Um golpe é um golpe. Ponto. Não interessa se o sujeito que estava no poder era um ditador em potencial, até porque era só isso, um potencial. Não havia nada que o incriminasse fora das mentes doentias que perpetraram esse absurdo que deveria ser erradicado da face da Terra. E os governos e organizações de todo o mundo fazem muito bem em condená-lo e isolá-lo.
O pior de tudo é ver gente, nas caixas de comentários dos grandes sites noticiosos do país defendendo coisa igual no Brasil. Verdade seja dita, até hoje não se inventou escudo melhor do que um teclado de computador: evita que você diga algo sem que alguém possa identificá-lo e dar uma resposta à altura, ou mesmo uma represália física às promessas de agressão que o referido troll faz. Uma lástima.
Aconteceu muita coisa enquanto estive ausente. Tivemos a queda de 2 aviões da Airbus, onde os sistemas fly by wire foram colocados em cheque. Tivemos a morte de Michael Jackson, e de Farrah Fawcett também. Mas talvez o que mais balançou o mundo nesta época, na minha opinião, tenha sido o golpe de Estado em Honduras, no final de junho.
E digo por que. Há 7 anos a América Latina não tem um golpe de Estado militarista nos moldes clássicos, e há bem mais tempo que isso não temos um bem sucedido. As alegações dos militares, e da elite por trás deles, nunca muda: fizemos isso porque o presidente iria subverter a democracia, iria se perpetuar no poder, iria instaurar uma ditadura esquerdista, iria, iria, iria.
Nada de fatos concretos. Essa conversa está batida pois começou em 1964, aqui em terras brasileiras. No final das contas, a desculpa é a mesma: subverte-se a democracia para evitar que ela seja subvertida. É um paradoxo que acaba sendo reduzido a um argumento à força, ou seja, o militar e as elites fazem isso porque querem e porque são mais fortes que aquele sujeito que está lá no palácio presidencial.
Um golpe é um golpe. Ponto. Não interessa se o sujeito que estava no poder era um ditador em potencial, até porque era só isso, um potencial. Não havia nada que o incriminasse fora das mentes doentias que perpetraram esse absurdo que deveria ser erradicado da face da Terra. E os governos e organizações de todo o mundo fazem muito bem em condená-lo e isolá-lo.
O pior de tudo é ver gente, nas caixas de comentários dos grandes sites noticiosos do país defendendo coisa igual no Brasil. Verdade seja dita, até hoje não se inventou escudo melhor do que um teclado de computador: evita que você diga algo sem que alguém possa identificá-lo e dar uma resposta à altura, ou mesmo uma represália física às promessas de agressão que o referido troll faz. Uma lástima.
Ingredientes:
política,
relações internacionais
10 de Junho de 2009
Meu Nome Não É Ulisses
E isso aqui não é a "Odisséia". Acho que tá mais pra uma versão dadaísta do livro de James Joyce.
Ingredientes:
literatura
1 de Junho de 2009
Incorporando
Quando simplesmente olho
Para a ladeira da rua daqui
De casa,
Minha mente já começa a viajar.
Pois sei que depois dela está
Uma avenida, e a continuação da rua,
E depois mais ruas, e mais um bairro,
Até chegar nas serras que limitam
Arcoverde com Buíque.
E é chão, e mais chão
Até chegar à margem norte do Velho
Chico,
Onde do outro lado está o chão seco
E sofrido do Sertão alagoano.
A partir daqui, é possível obter um
Breve vislumbre de Sergipe, mas
Sem sair de território baiano.
Terra abençoada, dizem, mas
É uma terra de contrastes,
Essa Bahia. Aqui no norte do
Estado,
Temos sol, seca, e o sangue que
ainda escorre de um velho arraial
Arrasado. Mas basta passar por Feira
De Santana para perceber que algo
Está diferente. Creio que acabamos
de entrar no mundo de Jorge. Amado.
Minas, Minas e mares de morro
Que sobem, e descem, apinhados
De História,
De ferro, e trem. Trem. De Ferro.
Maria-Fumaça que resiste ao tempo e
À modernização de asfalto, nem sempre
Tão moderno. Leite, que se toma com
Café. Que se toma com dinheiro. Que
Rola em grande quantidade aqui,
Em São Paulo. Interior rico de
Alphavilles, pobre de emoção, pobre
De humanidade,
Para aqueles que produzem riqueza,
Mais-valia. Moedor de gente nos prédios,
metrôs, viadutos, plantações de cana,
Laranja, uva. Soja e gado por procuração.
Supera-se, supera-se, tudo se supera,
Ainda mais quando minha mente equilibra-se,
Na Serra do Mar. E chega próximo aonde
Ela quer estar. Desce a serra de mansinho,
Devagarinho,
Pois quero ter a lembrança de cada momento,
De cada batida forte do coração, quando
Chego perto. Coração que me avisa do que
Está por vir (espero!): Redenção de minha
Alma, farol dos meus sonhos, calor em pleno
Frio.
Para a ladeira da rua daqui
De casa,
Minha mente já começa a viajar.
Pois sei que depois dela está
Uma avenida, e a continuação da rua,
E depois mais ruas, e mais um bairro,
Até chegar nas serras que limitam
Arcoverde com Buíque.
E é chão, e mais chão
Até chegar à margem norte do Velho
Chico,
Onde do outro lado está o chão seco
E sofrido do Sertão alagoano.
A partir daqui, é possível obter um
Breve vislumbre de Sergipe, mas
Sem sair de território baiano.
Terra abençoada, dizem, mas
É uma terra de contrastes,
Essa Bahia. Aqui no norte do
Estado,
Temos sol, seca, e o sangue que
ainda escorre de um velho arraial
Arrasado. Mas basta passar por Feira
De Santana para perceber que algo
Está diferente. Creio que acabamos
de entrar no mundo de Jorge. Amado.
Minas, Minas e mares de morro
Que sobem, e descem, apinhados
De História,
De ferro, e trem. Trem. De Ferro.
Maria-Fumaça que resiste ao tempo e
À modernização de asfalto, nem sempre
Tão moderno. Leite, que se toma com
Café. Que se toma com dinheiro. Que
Rola em grande quantidade aqui,
Em São Paulo. Interior rico de
Alphavilles, pobre de emoção, pobre
De humanidade,
Para aqueles que produzem riqueza,
Mais-valia. Moedor de gente nos prédios,
metrôs, viadutos, plantações de cana,
Laranja, uva. Soja e gado por procuração.
Supera-se, supera-se, tudo se supera,
Ainda mais quando minha mente equilibra-se,
Na Serra do Mar. E chega próximo aonde
Ela quer estar. Desce a serra de mansinho,
Devagarinho,
Pois quero ter a lembrança de cada momento,
De cada batida forte do coração, quando
Chego perto. Coração que me avisa do que
Está por vir (espero!): Redenção de minha
Alma, farol dos meus sonhos, calor em pleno
Frio.
Ingredientes:
literatura
20 de Maio de 2009
18 de Maio de 2009
Esperando Godot
Nos últimos dias, é assim que eu venho me sentindo.
Acho que é por isso que este blog anda tão desatualizado.
E pelo visto vai continuar assim até, no mínimo o próximo mês.
Acho que é por isso que este blog anda tão desatualizado.
E pelo visto vai continuar assim até, no mínimo o próximo mês.
Ingredientes:
confeiteiro
28 de Abril de 2009
18 de Abril de 2009
Moleskine Para Nome De Um Fetiche
Fazia tempo que eu não lia o blog da senhorita Panarello, que por sinal não anda atualizando muito o blog. Deve estar ocupada. Enfim, uma das últimas ocorrências dela diz respeito à sua relação com o seu Moleskine, de companheiro de aventuras e de horas de relaxamento.
Um Moleskine é um invento de uma papelaria parisiense de fins do século XIX. Trata-se de um tipo de caderno brochura, com capa de couro (hoje em dia, sintético ou de plástico), onde ao abri-lo, as folhas permanecem sem curvas ou dobras. Elas ficam lá, retinhas, como se você estivesse escrevendo em um bloco de notas. Existem modelos pautados, quadriculados, ou o mais famoso, que não tem pauta nenhuma.
Muita gente famosa usava Moleskine. Lembro-me de pelo menos dois: Picasso e Ernest Hemingway. Muitos viajantes europeus do passado e presente ainda o usam para registrar um diário de viagem, em suas frequentes andanças de carona, indo de albergue da juventude a albergue da juventude. Podem ser notas, desenhos a bico de pena ou até mesmo aquarelas. Mas o uso mais comum é entre os estudantes.
Eu sou louco pra ter um Moleskine. Sentir a liberdade de escrever um pensamento da forma que eu quiser, com uma caneta tinteiro ou de gel, em uma caligrafia (camoniana, no dizer de um colega meu) na qual só eu sei que vou entender. Acadêmico, pessoal. E depois guardá-lo como lembrança, feliz ou não, de um determinado momento de minha vida.
Um Moleskine é um invento de uma papelaria parisiense de fins do século XIX. Trata-se de um tipo de caderno brochura, com capa de couro (hoje em dia, sintético ou de plástico), onde ao abri-lo, as folhas permanecem sem curvas ou dobras. Elas ficam lá, retinhas, como se você estivesse escrevendo em um bloco de notas. Existem modelos pautados, quadriculados, ou o mais famoso, que não tem pauta nenhuma.
Muita gente famosa usava Moleskine. Lembro-me de pelo menos dois: Picasso e Ernest Hemingway. Muitos viajantes europeus do passado e presente ainda o usam para registrar um diário de viagem, em suas frequentes andanças de carona, indo de albergue da juventude a albergue da juventude. Podem ser notas, desenhos a bico de pena ou até mesmo aquarelas. Mas o uso mais comum é entre os estudantes.
Eu sou louco pra ter um Moleskine. Sentir a liberdade de escrever um pensamento da forma que eu quiser, com uma caneta tinteiro ou de gel, em uma caligrafia (camoniana, no dizer de um colega meu) na qual só eu sei que vou entender. Acadêmico, pessoal. E depois guardá-lo como lembrança, feliz ou não, de um determinado momento de minha vida.
Ingredientes:
ciência,
história,
literatura
15 de Abril de 2009
Pouco A Pouco
"Me empresta seus olhos só por um instante? Dá pra ver a alma da gente neles..."
E então, aquele que é provavelmente o mais belo sorriso do mundo se abriu.
E então, aquele que é provavelmente o mais belo sorriso do mundo se abriu.
Ingredientes:
confeiteiro,
mulher
7 de Abril de 2009
A F-1 Que Não Volta Mais
Quem quer que tenha um pouco de graxa nas juntas e energia nas baterias (eu sou ecologicamente correto), deve ter se ligado no sucesso que a Brawn GP anda fazendo na Fórmula 1. Basicamente, eles estão passando por uma ressurreição depois do furacão da crise econômica e do fim da participação da Honda na categoria. Hoje em dia, com um carro avançado desenvolvido de forma praticamente independente e um motor de vergonha na cara (Mercedes), eles estão superando todas as expectativas, conquistando duas vitórias em 2 GP's.
A Brawn nos faz lembrar de uma época na qual se fazia o "monoposto de autor". Antes da década de 90, raramente se ouvia falar em equipe de fábrica de automóveis, mas sim em fornecedores de motores. Das notáveis exceções que me recordo, estão a Alfa Romeo, Renault, Ferrari e a própria Honda, que correu na década de 60 com bonitinhos carros nas cores de competição do Japão. A mágica mesmo era feita pelos construtores, como Frank Williams, Jack Brabham e Ken Tyrrell. Hoje em dia, vale (ou valia) o dinheiro das megacorporações.
Outra coisa que deixa saudade e que duvido muito que volte são os clássicos circuitos da F-1 de antanho. Eu já me queixei diversas vezes disso e alguns colegas meus já torceram o nariz. Mas eu gostaria de ver algo mais familiar e com mais história do que as abominações que são os GP's do Bahrain e de Abu Dhabi. É inaceitável ver que corridas tradicionais como as da França e do Canadá voaram no pau, na busca desenfreada de grana encabeçada por Max Mosley e Bernie Ecclestone.
Dos antigos circuitos, eu concedo que pelo menos uns 3 não teriam condições de voltar: Anderstorp, na Suécia, está atrasadíssimo; Brands' Hatch, na Inglaterra, é razoavelmente moderno, mas o traçado não comporta mais carros de F-1; finalmente, Jacarépaguá ainda teria um enorme potencial, não fosse a terrível má vontade da CBA e dos governos do Rio (embora Interlagos seja hoje a meca do automobilismo nacional, indiscutivelmente). Mas ver Estoril, Paul Ricard, Montréal, Zandvoort e Bueños Aires de fora é de doer.
Eu concedo que, dada a força econômica de hoje em dia, cada BRIC deveria ter um circuito. Parece que estão fazendo uns bons na Rússia e na Índia. Talvez na China eles devessem tirar a competição de Xangai e colocar no circuito de rua de Macau. Fica a idéia.
A Brawn nos faz lembrar de uma época na qual se fazia o "monoposto de autor". Antes da década de 90, raramente se ouvia falar em equipe de fábrica de automóveis, mas sim em fornecedores de motores. Das notáveis exceções que me recordo, estão a Alfa Romeo, Renault, Ferrari e a própria Honda, que correu na década de 60 com bonitinhos carros nas cores de competição do Japão. A mágica mesmo era feita pelos construtores, como Frank Williams, Jack Brabham e Ken Tyrrell. Hoje em dia, vale (ou valia) o dinheiro das megacorporações.
Outra coisa que deixa saudade e que duvido muito que volte são os clássicos circuitos da F-1 de antanho. Eu já me queixei diversas vezes disso e alguns colegas meus já torceram o nariz. Mas eu gostaria de ver algo mais familiar e com mais história do que as abominações que são os GP's do Bahrain e de Abu Dhabi. É inaceitável ver que corridas tradicionais como as da França e do Canadá voaram no pau, na busca desenfreada de grana encabeçada por Max Mosley e Bernie Ecclestone.
Dos antigos circuitos, eu concedo que pelo menos uns 3 não teriam condições de voltar: Anderstorp, na Suécia, está atrasadíssimo; Brands' Hatch, na Inglaterra, é razoavelmente moderno, mas o traçado não comporta mais carros de F-1; finalmente, Jacarépaguá ainda teria um enorme potencial, não fosse a terrível má vontade da CBA e dos governos do Rio (embora Interlagos seja hoje a meca do automobilismo nacional, indiscutivelmente). Mas ver Estoril, Paul Ricard, Montréal, Zandvoort e Bueños Aires de fora é de doer.
Eu concedo que, dada a força econômica de hoje em dia, cada BRIC deveria ter um circuito. Parece que estão fazendo uns bons na Rússia e na Índia. Talvez na China eles devessem tirar a competição de Xangai e colocar no circuito de rua de Macau. Fica a idéia.
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