A Uniban deu pra trás. Readmitiu a estudante que foi execrada em público nas suas dependências.
Dane-se se a menina estava usando um vestido mais curto. Verdade seja dita, a faculdade nunca impôs código de vestimenta com o qual alguém concordasse, no ato de matrícula. Então na ocasião o que valia era a boa e velha máxima do Direito Civil: se algo não é proibido por lei, é permitido. Não há o que chorar. Há é que identificar-se os alunos que iniciaram a pasmaceira e passá-los por um processo administrativo interno sério, sem prejuízo da ação civil ou penal.
Ampliando um pouco a discussão, aparentemente este incidente é um reflexo de uma perceptível tendência da sociedade brasileira ao conservadorismo moral. A princípio, o conservadorismo está presente em todas as sociedades em maior e menor grau, e foi-se o tempo no Brasil em que tal situação pudesse provocar problemas maiores. O problema é que ele é solo fértil pra "otras cositas más".
Por garantia, olhe desconfiado para todo grupo que usar camisas verdes (tirando os times de futebol, claro). Nunca se sabe quando um sigma pode brotar ali.
9 de novembro de 2009
6 de novembro de 2009
"Soi-Disant" Cabeção
Divulgaram fotos da capa da Playboy de Fernanda Young, soi-disant musa sexy cabeção deste país. (Procurem no Google, eu estou com preguiça e medo de carregar uma aqui)
4 coisas:
1) Fernanda Young não é sexy;
2) Fernanda Young não é cabeção, exceto dentro da cabeça dela;
3) Ellen Page em "Juno" é mil vezes mais sexy-cabeção que ela, ao menos na minha humilde opinião. E tirem suas próprias conclusões;
4) Pobre Dita Von Teese.
4 coisas:
1) Fernanda Young não é sexy;
2) Fernanda Young não é cabeção, exceto dentro da cabeça dela;
3) Ellen Page em "Juno" é mil vezes mais sexy-cabeção que ela, ao menos na minha humilde opinião. E tirem suas próprias conclusões;
4) Pobre Dita Von Teese.
Ingredientes:
internet
3 de novembro de 2009
Impressões Ao Assistir: "Confissões De Uma Garota De Programa"
Confesso que o fator maior que me fez assistir o filme foi o cartaz. É simplesmente lindo, bem como a fotografia dos frames dentro da película em si. A tagline é hilária (See it with someone you ****), mas verdade seja dita, tem pouco a ver com a linha geral dele. Pra variar, cagaram na tradução do título para o português.
A crítica americana meteu o pau no filme, mas pelo que eu pude ver eles subestimaram um bom trabalho. Vejam bem, eu disse um bom trabalho. Não é nada impressionante, nada que vá mudar a sua vida. Eu diria que o que o diretor (Steve Soderbergh) fez foi fazer uma crônica de um determinado momento histórico, sem maiores pretensões. No que se propôs, foi um bom feijão-com-arroz.
O filme teria tudo para transformar-se em um motivo para colocar pornografia na tela: a história, a personagem, e até mesmo a atriz - Sasha Grey é atriz pornô, e muito bem conceituada no ramo. Mas as cenas de sexo são extremamente sutis, para não dizer casuais. A nudez da moça no início do filme é transformada em algo banal, porém não vulgar. Digamos que ela está muito bem à vontade desta forma, de maneira positiva.
(Mais um comentário entre parênteses: se não tivesse visto filmes da atividade principal de Grey, diria que ela era no máximo modelo fotográfica, já que foge do estereótipo de peitões do cinema pornô americano; é uma típica girl next door).
Insisto que o filme é uma crônica de um momento histórico vista pelos olhos de uma cidadã comum porque, no final das contas, as duas narrativas - a profissão de Chelsey, a personagem principal, e o pano de fundo histórico - se misturam, mas ao mesmo tempo correm de forma perfeitamente discernível. Em todos os momentos a crise econômica americana e sua influência na eleição presidencial de lá da Gringolândia, agora em 2008, está presente na tela. Ao mesmo tempo, o trabalho de Chelsey como uma consorte de luxo (que promete aos clientes uma girlfriend experience, daí o título do filme em inglês) também está em cada minuto.
Um dos principais motivos pelos quais o filme levou resenhas meia-boca foi justificado com a falta de envolvimento emocional com os personagens. Pessoalmente, achei dispensável tal necessidade. Acredito eu que a intenção de Soderbergh foi, mais uma vez, realizar uma crônica de seu tempo sob o ponto de vista de uma pessoa comum - e sim, Chelsey é uma pessoa comum, muito embora ela não atue em uma profissão exatamente muito ortodoxa. Para que se entenda o ponto de vista dela, não é necessário que você já tenha saído por aí trocando serviços sexuais (e principalmente sentimentais, no caso dela) por dinheiro.
No entanto, o filme em determinados momentos chega a ser monótono. Nesse ponto, acho que Soderbergh errou, ao esticar muito uma ideia que, acredito eu, ficaria muito melhor em um curta de 15 minutos. Em determinados momentos a narrativa se repete até a exaustão. Alguém poderia ter dito que nós poderíamos muito bem ter entendido o argumento dele logo na primeira ou segunda vez. Como toda crônica, fica muito bem em 1/3 da página do jornal. Mais que isso, vira masturbação intelectual.
31 de outubro de 2009
Coisas (Inaceitáveis) Da Vida
Infelizmente, um primo meu (na verdade, filho de uma prima minha) faleceu nesta sexta feira. Tinha quase 4 anos de idade.
Ele fez uma cirurgia para a remoção de um tumor no cérebro, cirurgia esta considerada um sucesso pelos médicos responsáveis. No entanto, ele veio a falecer com uma broncoembolia, enquanto estava na UTI.
Não havia um único plantonista na UTI do hospital (particular, pago por um plano de saúde que vinha recusando-se repetidamente a cobrir a cirurgia), naquele momento. Era madrugada. A administração do hospital dizia o tempo todo que um médico viria vê-lo - na manhã seguinte.
Às vezes eu tenho a impressão de que a saúde, pública ou privada, no Brasil ou em outros países, está doente. Doente de interesses pessoais.
Ele fez uma cirurgia para a remoção de um tumor no cérebro, cirurgia esta considerada um sucesso pelos médicos responsáveis. No entanto, ele veio a falecer com uma broncoembolia, enquanto estava na UTI.
Não havia um único plantonista na UTI do hospital (particular, pago por um plano de saúde que vinha recusando-se repetidamente a cobrir a cirurgia), naquele momento. Era madrugada. A administração do hospital dizia o tempo todo que um médico viria vê-lo - na manhã seguinte.
Às vezes eu tenho a impressão de que a saúde, pública ou privada, no Brasil ou em outros países, está doente. Doente de interesses pessoais.
25 de outubro de 2009
La Kinski!

Vi esse retrato dela hoje, da época em que ela fez Tess, em 79, com o recém-frequentador da cela, Polanski.
Lindona, não era?
Ingredientes:
cinema
24 de outubro de 2009
Rendição
Esta semana, enquanto conversava com colegas meus, voltamos a um tema que já foi discutido em outra postagem (não me lembro exatamente onde, mas estou com preguiça de procurar). Trata-se de saber até onde se está disposto a ceder ao encontrarmos alguém de quem realmente gostamos. A princípio, não existem grandes dificuldades lógicas sobre o assunto: a partir do momento em que impomos condições pra gostar de alguém e sofrer todas as implicações decorrentes dessa decisão, é porque não estamos dispostos a gostar dessa pessoa, e o melhor a fazer é seguir em frente. Fim de papo.
Realmente gostar de alguém, no entanto, significa justamente fazer o contrário: você se entrega, se doa, se rende. Abre mão de uma série de coisas, muitas vezes superando o limite do razoável. Obviamente existe uma diferença entre o altruísmo e a negação destrutiva do ser, o que demanda um mínimo de racionalidade. Mas isto depende de cada um. O que me fez lembrar de uma certa historinha, que merece ter o seu devido balanço e exposição pública (com o devido resguardo dos envolvidos, à exceção de minha pessoa).
J. foi extremamente importante pra mim no primeiro semestre deste ano. Era como um sonho tornando-se realidade, ou, acredito eu, um sonho tornando-se realidade em sentido estrito. Talvez fosse algo análogo ao que muitos rastafáris sentiram ao ver Haile Selassie I, último imperador etíope, ao desembarcar no aeroporto de Kingston, na Jamaica, nos anos 60. Esse sentimento só cresceu ao perceber que, em certa medida, J. me correspondia.
Em pouco tempo, eu já havia modificado muitos de meus planos para que, futuramente, eu pudesse ficar o máximo possível com J. Dentro em pouco, ela, sem apontar-me uma única arma ou realizar qualquer tipo de coação, já havia me rendido. Doce rendição, diga-se de passagem.
Só que, enquanto da minha janela era possível divisar mandacarus, catingueiras e barrigudas, da janela de J. era possível ver araucárias. Até existia a possibilidade de nos encontrarmos, mas ela não se concretizou a tempo, de forma que eu pudesse fazer a diferença. Não houve outra saída para mim e ela, senão seguir caminhos diferentes. Não posso dizer com segurança no que diz respeito a ela, mas de minha parte, foi a contragosto.
De toda forma, tive uma experiência concreta de rendição, e minha opinião é de que ela foi extremamente construtiva. Uma pena que, mais uma vez, a distância me separou de gente pela qual valia a pena abandonar a individualidade.
Realmente gostar de alguém, no entanto, significa justamente fazer o contrário: você se entrega, se doa, se rende. Abre mão de uma série de coisas, muitas vezes superando o limite do razoável. Obviamente existe uma diferença entre o altruísmo e a negação destrutiva do ser, o que demanda um mínimo de racionalidade. Mas isto depende de cada um. O que me fez lembrar de uma certa historinha, que merece ter o seu devido balanço e exposição pública (com o devido resguardo dos envolvidos, à exceção de minha pessoa).
J. foi extremamente importante pra mim no primeiro semestre deste ano. Era como um sonho tornando-se realidade, ou, acredito eu, um sonho tornando-se realidade em sentido estrito. Talvez fosse algo análogo ao que muitos rastafáris sentiram ao ver Haile Selassie I, último imperador etíope, ao desembarcar no aeroporto de Kingston, na Jamaica, nos anos 60. Esse sentimento só cresceu ao perceber que, em certa medida, J. me correspondia.
Em pouco tempo, eu já havia modificado muitos de meus planos para que, futuramente, eu pudesse ficar o máximo possível com J. Dentro em pouco, ela, sem apontar-me uma única arma ou realizar qualquer tipo de coação, já havia me rendido. Doce rendição, diga-se de passagem.
Só que, enquanto da minha janela era possível divisar mandacarus, catingueiras e barrigudas, da janela de J. era possível ver araucárias. Até existia a possibilidade de nos encontrarmos, mas ela não se concretizou a tempo, de forma que eu pudesse fazer a diferença. Não houve outra saída para mim e ela, senão seguir caminhos diferentes. Não posso dizer com segurança no que diz respeito a ela, mas de minha parte, foi a contragosto.
De toda forma, tive uma experiência concreta de rendição, e minha opinião é de que ela foi extremamente construtiva. Uma pena que, mais uma vez, a distância me separou de gente pela qual valia a pena abandonar a individualidade.
Ingredientes:
confeiteiro,
relações humanas
18 de outubro de 2009
Inversão De Valores
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, quarta força armada iraniana e tropa de choque ideológica do regime dos aiatolás, sofreu hoje um atentado em uma região próxima à fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. 29 pessoas morreram, entre elas diversos oficiais de alta patente da Guarda Revolucionária. O grupo sunita Jundallah assumiu a autoria do ataque. Depois do ataque, os iranianos foram rápidos em colocar a culpa nos EUA e Reino Unido.
Acho que neste ponto os iranianos estão rápidos demais no gatilho, ao acusar os EUA e Reino Unido assim. Por dois motivos:
- Os americanos e os ingleses não iriam armar seus inimigos nos campos de batalha do Afeganistão e Paquistão. E eu realmente espero que eles tenham aprendido a lição com o Talibã, sobre armar gente potencialmente perigosa só pelo fato de eles estarem momentaneamente um inimigo seu;
- Os iranianos (xiitas) já possuem tretas demais com sunitas e o que não falta é gente com vontade de estourar um ou dois comandantes militares deles: os já referidos talibãs, a Al-Qaida (sim, eles não suportam os xiitas), os grupos sunitas internos, como foi o caso dessa vez...
O que, na minha opinião, só mostra o quanto os neocons são um porre, em qualquer ponto do espectro ideológico.
Acho que neste ponto os iranianos estão rápidos demais no gatilho, ao acusar os EUA e Reino Unido assim. Por dois motivos:
- Os americanos e os ingleses não iriam armar seus inimigos nos campos de batalha do Afeganistão e Paquistão. E eu realmente espero que eles tenham aprendido a lição com o Talibã, sobre armar gente potencialmente perigosa só pelo fato de eles estarem momentaneamente um inimigo seu;
- Os iranianos (xiitas) já possuem tretas demais com sunitas e o que não falta é gente com vontade de estourar um ou dois comandantes militares deles: os já referidos talibãs, a Al-Qaida (sim, eles não suportam os xiitas), os grupos sunitas internos, como foi o caso dessa vez...
O que, na minha opinião, só mostra o quanto os neocons são um porre, em qualquer ponto do espectro ideológico.
Ingredientes:
política,
relações internacionais,
religião
17 de outubro de 2009
Enquanto Isso, No RJ...
... um helicóptero foi abatido em um confronto entre policiais e traficantes, em um morro.
Prepare-se: um vendedor certificado de soluções fáceis para problemas de segurança pública vai bater à sua porta em breve.
Prepare-se: um vendedor certificado de soluções fáceis para problemas de segurança pública vai bater à sua porta em breve.
Ingredientes:
política
12 de outubro de 2009
Pequenos Prazeres
Apesar da correria, ontem eu tive a oportunidade de fazer algo que não fazia há tempos: ficar pensando em nada no laguinho da UFPE, que tem uma pequena área verde urbanizada ao seu redor, dentro do campus principal da universidade.
Acho que havia esquecido o quanto isso faz bem.
Acho que havia esquecido o quanto isso faz bem.
Ingredientes:
pernambuco
30 de setembro de 2009
Intolerância
É com grande pesar que eu fiquei sabendo, através do Diário de Pernambuco, que o jornalista da casa Rafael Dias Batista, 25 anos, foi agredido nas dependências do referido periódico recifense. Segundo matéria do jornal, Rafael levou um soco de um homem que apareceu na portaria do Diário, no bairro de Santo Antônio, região central da capital pernambucana, identificando-se como filho do falecido vereador Luiz Vidal.
Tudo indica que o motivo da agressão foi a insatisfação do mesmo pelo fato de Rafael, ao noticiar a morte do político, relatar como causa do óbito encefalopatia espongiforme transmissível (BSE, sigla em inglês), também conhecida popularmente como mal da vaca louca. Segundo os médicos que atenderam o vereador, existem 96% de chances de o vereador ter realmente falecido em decorrência da doença.
Rafael foi meu companheiro de turma na UFPE. É um profissional sério e inteligente, que não é chegado em polêmica barata pra vender jornal. A agressão mostrou-se totalmente descabida, e se tornará mais absurda caso o referido agressor não seja de fato familiar do político. Pelo que fiquei sabendo, o SinjoPE já posicionou-se de forma veementemente contrária à agressão e em apoio ao Diário de Pernambuco. Rafael pode e deve prestar queixa contra o agressor e mover o devido processo legal contra o mesmo.
É triste perceber que a minha profissão, embora não mais tanto assim, ainda é alvo de ataques injustificados por aqueles que não gostam de ver sua posição social ou política ameaçada. É verdade, também, que muitos jornalistas não possuem o mínimo de ética necessário à convivência em sociedade, mas Rafael certamente não é um deles.
Uma vez, um professor meu disse que a palavra na mídia é uma pistola Magnum .44 carregada. Não tenho boas perspectivas quanto ao futuro daqueles que passaram 4 anos, no mínimo, dentro de uma universidade para aprender a propagar notícias de forma correta (e não pretendo me alongar nesta discussão por enquanto), mas de certa forma ainda somos vistos como potencialmente perigosos. E precisamos usar o nosso poder com sabedoria, denunciando abusos como o ocorrido.
Tudo indica que o motivo da agressão foi a insatisfação do mesmo pelo fato de Rafael, ao noticiar a morte do político, relatar como causa do óbito encefalopatia espongiforme transmissível (BSE, sigla em inglês), também conhecida popularmente como mal da vaca louca. Segundo os médicos que atenderam o vereador, existem 96% de chances de o vereador ter realmente falecido em decorrência da doença.
Rafael foi meu companheiro de turma na UFPE. É um profissional sério e inteligente, que não é chegado em polêmica barata pra vender jornal. A agressão mostrou-se totalmente descabida, e se tornará mais absurda caso o referido agressor não seja de fato familiar do político. Pelo que fiquei sabendo, o SinjoPE já posicionou-se de forma veementemente contrária à agressão e em apoio ao Diário de Pernambuco. Rafael pode e deve prestar queixa contra o agressor e mover o devido processo legal contra o mesmo.
É triste perceber que a minha profissão, embora não mais tanto assim, ainda é alvo de ataques injustificados por aqueles que não gostam de ver sua posição social ou política ameaçada. É verdade, também, que muitos jornalistas não possuem o mínimo de ética necessário à convivência em sociedade, mas Rafael certamente não é um deles.
Uma vez, um professor meu disse que a palavra na mídia é uma pistola Magnum .44 carregada. Não tenho boas perspectivas quanto ao futuro daqueles que passaram 4 anos, no mínimo, dentro de uma universidade para aprender a propagar notícias de forma correta (e não pretendo me alongar nesta discussão por enquanto), mas de certa forma ainda somos vistos como potencialmente perigosos. E precisamos usar o nosso poder com sabedoria, denunciando abusos como o ocorrido.
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jornalismo,
política
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